12 de janeiro de 2006

Fatos Curiosos e Pouco Conhecidos sobre a Escravidão


Fatos Curiosos e Pouco Conhecidos sobre a Escravidão

Julio Severo
Nos Estados Unidos, os cidadãos de ascendência africana freqüentemente lembram aos cidadãos brancos o longo tempo de privação de liberdade e direitos que os escravos negros passaram. Seguindo o modelo americano, os negros brasileiros cobram a mesma atenção. A venda e compra de escravos, na América do Norte e do Sul, foi realmente uma das maiores crueldades da História humana. A partir do século XVI, comerciantes brancos compravam negros de mercadores para transportá-los e vendê-los no continente americano. Houve participação de três raças ou culturas: Na própria África, negros aprisionavam negros de outras tribos e os vendiam aos mercadores africanos e árabes muçulmanos, que por sua vez os vendiam aos compradores “cristãos” brancos da América do Norte e do Sul.

Impacto Religioso

Nos Estados Unidos, muitos proprietários de escravos, com todas as suas imperfeições, se esforçaram para converter seus escravos para o Cristianismo. Provavelmente, é por causa desses esforços que a grande maioria dos negros americanos descendentes de escravos não segue religiões africanas como o candomblé — religiões que são muito populares no Brasil. Os resultados foram obviamente positivos, pois os escravos abraçaram o Cristianismo e compuseram alguns dos hinos evangélicos americanos mais lindos. Assim, os africanos que eram levados para os EUA acabavam abandonando suas raízes religiosas pagãs. Tal fenômeno não ocorreu em países como o Brasil, aonde os africanos chegaram e em grande parte transmitiram para seus descendentes e para a sociedade suas tradições religiosas, que agora fazem parte da cultura brasileira. Essas tradições — que não tiveram impacto na cultura americana — ganharam centenas de milhares de adeptos na população não negra do Brasil. Em termos estritamente bíblicos, o forte peso espiritual dessas tradições pode estar seriamente contribuindo, principalmente para a população negra brasileira e outros afetados por sua espiritualidade ocultista, para os mesmos problemas de condição de pobreza e miséria que já provocavam na África.
De uma perspectiva puramente bíblica (sem negar a realidade negativa da escravidão), os negros americanos escaparam do destino cruel de seus parentes na África, que viviam nas trevas e estavam condenados a uma eternidade sem Deus. Antes de seu primeiro contato com os compradores brancos de escravos no século XVI, os países negros do continente africano já viviam na ignorância, na pobreza, nas religiões ocultistas (que envolviam sacrifícios sangrentos) e no sofrimento, inclusive escravidão entre seus próprios povos. Com tanta escuridão e escravidão espiritual e social, não havia muita esperança de progresso, espiritual ou material. Assim, antes da chegada dos brancos, já havia escravidão na África. Mesmo que os brancos abandonassem completamente a África, multidões de negros continuariam sofrendo opressão e escravidão — de outros negros. De modo particular, o contato com os americanos e ingleses brancos foi consideravelmente benéfico, pela importante oportunidade que proporcionou aos africanos de conhecerem uma realidade espiritual melhor, embora a escravidão tenha sido inegavelmente uma condição trágica. Não há dúvida de que teria sido muito melhor se eles tivessem recebido essa oportunidade sem precisar sofrer como escravos, porém destino pior tiveram os africanos que foram levados para o Oriente Médio, onde foram forçados a se “converter” para o islamismo, ficando sem nenhuma chance de conhecer o Evangelho da libertação.
Assim como no caso dos africanos, o hebreu José também foi injustamente vendido, por seus próprios irmãos, para ser escravo no Egito. Mas ele não passou o resto de sua vida lamentando e reivindicando direitos perdidos. Ele foi fiel a Deus e com sua bênção ele se tornou governador do Egito, que era um dos países mais importantes daquele tempo. No caso dos negros americanos, é possível que a escravidão tenha trazido, espiritualmente, mais vantagens do que desvantagens, colocando-os em contato com muitos toques especiais de Deus, em diversas épocas. Sabe-se, por exemplo, que o movimento pentecostal começou nos EUA entre pobres e negros. De modo semelhante, no Brasil o pentecostalismo vem abençoando essas populações específicas desde o começo. Sua origem tão humilde pode explicar o motivo por que a sociedade sempre demonstrou preconceito contra as igrejas pentecostais, que com a graça de Deus reagiram com amor às piores hostilizações e provaram que só o amor de Cristo vence o preconceito e ganha o coração dos preconceituosos. É no pentecostalismo que muitas pessoas socialmente marginalizadas conseguiram, pelo poder de Cristo, experimentar mudança para melhor em seu padrão de vida moral, espiritual e financeiro. Desde o começo do século XX, negros têm subido à liderança de igrejas pentecostais, sem nenhum impedimento e sem nenhuma imposição de leis governamentais que privilegiam as minorias com o sistema de quotas. Cada pessoa, negra ou não, assumia funções importantes, inclusive pastorais, somente de acordo com sua capacidade, esforços pessoais, integridade moral e talentos espirituais, não de acordo com políticas compulsórias que, em nome de uma igualdade racial, favorecem uma raça contra outra.

O Papel dos Muçulmanos Africanos na Escravidão de Negros e Brancos

Houve então, mesmo em meio a uma situação adversa, oportunidade favorável de transformação religiosa na vida dos escravos, pelo menos no caso dos africanos que foram levados para os EUA. Hoje nem todos conhecem e entendem essa realidade, ou o papel que muçulmanos e negros de tribos guerreiras desempenharam na venda e compra de escravos. A maioria dos grupos muçulmanos e grupos negros de pressão política que utilizam certas situações do passado para reivindicar certos direitos demonstram desconhecimento da história da escravidão. O fato é que os cristãos brancos compravam escravos negros vendidos por mercadores muçulmanos africanos, que os adquiriam de tribos africanas que travavam guerras contra outras tribos, matando, estuprando, saqueando e capturando os sobreviventes para vendê-los como escravos. Embora tente mostrar que é a favor da igualdade racial, o islamismo tem grande participação e culpa no comércio de escravos. Contudo, os muçulmanos do Norte da África fizeram muito mais do que só se envolver no aprisionamento e escravização de negros: Eles atacavam os litorais da Europa para capturar brancos e vendê-los nos grandes mercados de escravos da África.
De acordo com o Professor Robert Davis, da Universidade de Ohio, os muçulmanos africanos não se limitavam a transformar em escravos apenas os europeus capturados em guerra. No período entre 1530 e 1780, eles atacavam e aterrorizavam sistematicamente os litorais da Europa no mar Mediterrâneo em busca de pessoas para vender como escravas nas cidades africanas de Argel, Tunis e Trípoli. O Professor Davis escreveu que mais de um milhão de europeus foram levados à força para a África. O Mediterrâneo veio a se tornar um “mar de medo” para os europeus que viviam perto dos litorais, principalmente camponeses, trabalhadores de fazendas e pescadores. Até mesmo grandes cidades como Barcelona, Genova e Nápoles não estavam a salvo de invasões e ataques de corsários muçulmanos. Esses piratas caçadores de escravos chegaram até mesmo a atingir regiões litorâneas do oceano Atlântico: Em 1627, quatrocentos habitantes da Islândia (país europeu com população evangélica branca de cabelo loiro e olhos azuis) foram aprisionados e transportados como escravos para a África, para nunca mais voltarem. Em 1631, os habitantes de uma vila inteira na Irlanda foram atacados de surpresa e capturados pelos africanos. De acordo com o jornal inglês Guardian Unlimited: “Milhares de cristãos brancos eram seqüestrados anualmente para trabalhar como escravos remadores de galeras, trabalhadores braçais e amantes dos senhores muçulmanos no que é hoje o Marrocos, Tunísia, Argélia e Líbia”.[1]
Escrava branca na mão de um africano muçulmano
A vida dos escravos brancos na África não era melhor do que a vida dos negros africanos no continente americano: eles eram obrigados a trabalhar em casas, fazendas, pedreiras, minas de sal e construção de estradas, ficando reservado às jovens brancas o “trabalho” de servir sexualmente os africanos. Todos sofriam torturas para se converter ao islamismo e estima-se que metade deles morria no cativeiro devido a rações de péssima qualidade, trabalhos pesados, surras e pragas. No século XVIII algumas nações européias começaram a pagar resgate para libertar alguns europeus escravizados na África. Os países europeus que não queriam ser alvo de ataques de piratas muçulmanos africanos eram obrigados a pagar uma pesada taxa anual. Até mesmo o Império Britânico, com sua grande marinha, não se aventurava a enfrentá-los militarmente, talvez também por causa de suas amargas experiências do passado. Só entre 1609 e 1616, 466 navios ingleses foram capturados. Entre 1677 e 1680, outros 160 navios ingleses foram aprisionados pelos muçulmanos africanos. Nas décadas seguintes, os ingleses continuaram sofrendo perda de ainda outros navios, cujas tripulações e passageiros foram igualmente escravizados, até que, humilhado, o poderoso Império Britânico reconheceu a necessidade de pagar as taxas anuais exigidas pelos piratas africanos.
A captura, venda e compra de escravos europeus nos mercados da África sofreram um duro golpe quando os EUA, no começo de 1800, corajosamente agiram  de um modo que nenhuma grande nação da Europa ousara tentar. Em resposta às ações de corsários africanos que capturaram um navio americano no mar Mediterrâneo e escravizaram a tripulação, os EUA — que na época nem tinham uma marinha — encomendaram a construção de três navios. Com essa pequena marinha recém-formada, eles travaram guerra contra os poderosos países muçulmanos do Norte da África. Na primeira grande ação militar internacional dos EUA, um pequeno número de soldados americanos invadiu esses países, prevaleceu sobre seus inimigos e exigiu a emancipação de todos os escravos europeus cristãos.
A pirataria e a escravidão dos africanos muçulmanos contra os europeus só terminaram definitivamente quando os franceses, os espanhóis e os italianos colonizaram os países do Norte da África e exterminaram as bases de operações dos mercadores de escravos. No entanto, com o fim da colonização algumas nações africanas — como o Sudão — voltaram aos velhos hábitos, escravizando homens, mulheres e crianças de seus próprios povos. No Sudão moderno, centenas de milhares de cristãos negros têm sido estuprados, escravizados ou mortos por sudaneses muçulmanos, que controlam o governo.

A Escravidão Sempre Existiu, em Todos os Povos

A escravidão não teve origem na Bíblia, que apenas a regulou e humanizou. Essa prática está ligada a todas as raças desde os tempos mais antigos. Sobre essa questão, comenta Thomas Sowell, um americano negro e professor universitário: “Os europeus escravizaram outros europeus durante séculos antes que o esgotamento de escravos brancos os levasse a recorrer à África como fonte de escravos para o Hemisfério Ocidental. O imperador romano Júlio César marchou em Roma numa procissão que incluía escravos britânicos capturados. Duas décadas depois que os negros foram emancipados nos Estados Unidos, ainda havia escravos brancos sendo vendidos no Egito. A mesma história se repete na Ásia, África, entre os polinésios e entre os povos indígenas do Hemisfério Ocidental. Nenhuma raça, país ou civilização está isento de culpa”.[2] Sowell também diz: “A escravidão era um negócio feio e sujo, mas indivíduos de praticamente todas as raças, cores e credos estavam envolvidos nela em todos os continentes habitados. E as pessoas que eles escravizavam também eram de praticamente todas as raças, cores e credos”.[3]
O Professor Robert Davis explica essa questão: “Umas das coisas que o público e os estudiosos têm a tendência de fazer é ver como fato garantido que a escravidão sempre teve natureza racial — que só os negros eram escravos. Mas isso não é verdade. Não podemos pensar na escravidão como algo que só os brancos fizeram para os negros”.[4] A maioria das sociedades de 1, 2, 3 ou 4 mil anos atrás aceitava de uma forma ou outra a escravidão. E é bom lembrar que na Europa brancos escravizavam brancos, na Ásia asiáticos escravizavam asiáticos, nas Américas índios escravizavam índios e na África negros escravizavam negros, tornando a maior parte da população mundial de hoje (independente de origem racial) descendente de escravos, pois o sistema social de trabalho forçado era comum a todos os povos. Não havia os que aceitavam e os que não aceitavam a escravidão. Havia só dois grupos:
* A maioria: os pagãos, ateus e anticristãos que eram de modo geral cruéis com os escravos.
* A minoria: os que, obedecendo ao que Deus diz na Bíblia, eram de modo geral bondosos com eles.
Onde a escravidão era praticada por muçulmanos e outras culturas não cristãs, dificilmente havia esperança de misericórdia para os oprimidos. Ainda que hoje os muçulmanos não mais empreendam o aprisionamento e venda de negros e brancos como escravos, sua falta de compaixão pouco diminuiu, como se pode comprovar nos cruéis atos terroristas e seqüestros e assassinatos sádicos de reféns inocentes, praticados por indivíduos que se consideram adeptos de uma “religião de paz”, mas que desde os tempos da escravidão vem trazendo, através de seguidores fanáticos, opressão e terror para a humanidade.
No continente americano, antes da vinda de Cristóvão Colombo, a situação não era melhor. Pessoas capturadas, mesmo crianças, nas guerras entre as tribos indígenas muitas vezes acabavam escravizadas, ou engordadas para servirem de alimento para seus captores canibais ou simplesmente utilizadas em sacrifícios humanos. Tanto homens como mulheres aprisionados eram estuprados, pois o homossexualismo era comum nas tribos. O tratamento desses índios nas mãos de outros índios era tão cruel que as vítimas viram Colombo como herói, quando ele venceu as tribos canibais e libertou os índios que estavam sendo mantidos presos para serem devorados. Os índios libertos receberam o “invasor” com muita alegria.

Evangélicos contrários à Escravidão

Se não havia muita esperança de misericórdia nas culturas não cristãs, as condições eram mais favoráveis a mudanças nos países cristãos. Afinal, foi exatamente nesses países que Deus levantou grupos evangélicos contra a escravidão. Provavelmente, foi por causa do trabalho e intercessão desses grupos que pessoas como John Newton (1725-1807) se converteram a Cristo. Newton era capitão inglês de um navio de transporte de escravos e experimentou uma transformação tão profunda em sua vida que ele acabou escrevendo o famoso hino Amazing Grace (Graça Maravilhosa), onde ele conta como Deus pôde salvar um miserável como ele.
Embora a escravidão fosse universalmente aceita e não tenha começado na Bíblia, foram pessoas que criam na Bíblia que deram origem ao movimento de libertação dos escravos, primeiramente emancipando os europeus que estavam condenados a trabalhos forçados, tanto na Europa quanto no continente americano. Depois, veio o tremendo esforço de cristãos brancos para combater a escravidão nos países pagãos e ajudar os africanos que foram usados para preencher a lacuna que os escravos brancos deixaram. A iniciativa mais eficaz para ajudar os negros escravos veio sob inspiração do branco evangélico William Wilberforce (1759-1833), que fundou a Sociedade Anti-Escravidão, na Inglaterra, no começo do século XIX.

Os Aproveitadores

Não foram os pagãos, nem os ateus e nem os anticristãos que começaram a luta para libertar os negros da escravidão, embora hoje tentem dar essa impressão, querendo assumir o papel de defensores dos descendentes de escravos (só dos negros, não de outras raças), mas se esquecendo de que os indivíduos daquele tempo que tinham idéias pagãs, ateístas e anticristãs como eles é que apoiavam forte e cruelmente a escravidão. Eles também parecem não se importar com o fato de que na atual África e em muitos países comunistas e muçulmanos a escravidão está bem viva. De fato, esses pseudodefensores dos descendentes de escravos demonstram muito pouco interesse pelos oprimidos dessas nações. Pelo contrário, quem está levantando novamente a voz em defesa desses oprimidos são grupos cristãos. Com a ajuda de Deus, eles conseguirão a abolição do trabalho escravo no Sudão e nos países comunistas, cuja situação de injustiça vem sendo denunciada há muito tempo por evangélicos. Seria apenas lamentável que os ateus e anticristãos daqui a algum tempo se levantassem, mais uma vez, para alegar que foram eles os responsáveis por essa abolição.
Os socialistas, os ateus, os humanistas e os anticristãos impõem a escravidão em países comunistas como China e Coréia do Norte. Na China, um número incontável de pessoas desarmadas contrárias ao comunismo e cristãos inocentes, tanto evangélicos quanto católicos, são torturados, mortos ou, na melhor das hipóteses, enviados para os laogais, que são os campos de “reeducação mediante trabalho”. Nesses campos, os prisioneiros são obrigados a trabalhar longas horas diárias, sete dias por semana, em indústrias controladas pelos militares, cuja ambição é levantar recursos para construir a maior força militar do mundo. Pelo fato de que não precisam pagar “empregados” e impostos, os produtos chineses são vendidos a preços bem baixos no mercado mundial. Na década de 1990, havia mais de mil laogais em toda a China.
Em países como o Brasil os socialistas, os ateus, os humanistas e os anticristãos fazem belas propagandas culturais de si mesmos como “campeões” das minorias, tratando a questão da escravidão como se desde o começo da humanidade os brancos fossem os únicos culpados mundiais e como se os descendentes de escravos africanos tivessem direito exclusivo de reivindicar o título de sofredores mundiais da humilhação da escravidão. Culpando os brancos por todos os infortúnios dos negros e por todos os problemas dos países pobres da África, eles esperam não só ajudar no estabelecimento de leis nacionais e internacionais para cobrar indenizações, mas também reforçar a imagem de que o socialismo é a resposta ideal para favorecer determinados direitos para as minorias. Um dos direitos reivindicados é valorizar a “cultura” negra (que inclui valores advindos do ocultismo africano) com o mesmo respeito e importância que a cultura cristã sempre recebeu, inclusive nas escolas públicas. Mas seu envolvimento nessas causas é desconfiável, se considerarmos sua real pretensão: em nome de uma suposta justiça para os descendentes de escravos africanos eles esperam provocar a luta de classes, tão essencial para as revoluções comunistas, tão indispensável para impor uma nova ordem social. Na ordem social de hoje, como bem demonstra o socialista Lula com seu apoio às reivindicações dos grupos negros e homossexuais, a defesa das minorias é uma das prioridades.
No entanto, os exploradores dos direitos civis não estão apoiando as causas das minorias de graça. Aliás, o governo Lula tem igualado a condição dos negros com a situação dos que vivem no homossexualismo, comprovando que a questão dos descendentes dos escravos africanos se tornou um ponto chave para conceder e expandir direitos especiais para o homossexualismo. Daí o interesse obsessivo de alguns grupos de tirar máxima vantagem dos direitos civis. Será que eles teriam interesse nas minorias se não houvesse nenhum potencial de fomentar a luta de classes a fim de estabelecer na sociedade suas pretendidas transformações?

Conclusão

Portanto, os esforços para libertar os escravos não começaram entre africanos, asiáticos ou outros povos sem tradição cristã, pois entre eles não havia liberdade e segurança para tal iniciativa. Com todas as suas imperfeições, o sistema cristão de governo de países como EUA e Inglaterra proporcionou um campo relativamente aberto para que alguns evangélicos corajosos se opusessem à escravidão, desafiando até mesmo a ignorância da maioria da população cristã de seus países. Se a luta contra a escravidão dependesse exclusivamente de povos, tribos e nações não cristãs, provavelmente a maior parte da população mundial continuaria escrava. No entanto, como uma pequena quantidade de sal tem um efeito positivo numa comida inteira, um número pequeno de evangélicos nos EUA e na Inglaterra fez toda a diferença para que o mundo se tornasse o que é hoje: um lugar em grande parte livre da escravidão.
Bibliografia:
Harold O.J. Brown, Muslim Trading, publicado no The Religion & Society Report, julho de 2004. The Howard Center for Family, Religion & Society.
Sam Blumenfeld, Forgotten American History: The Barbary Wars, artigo publicado na revista Practical Homeschooling, maio/junho de 2003, p. 35.
Julio Severo, Superpropaganda a favor do homossexualismo, artigo postado no JesusSite.
Nina Shea, The Lion’s Den (Broadman & Holman Publishers, 1997).


[1] http://www.guardian.co.uk/uk_news/story/0,3604,1166720,00.html
[2] http://www.townhall.com/columnists/thomassowell/ts20040324.shtml
[3] http://www.theplainsman.com/vnews/display.v/ART/2004/04/26/408d7edd17a0b
[4] http://researchnews.osu.edu/archive/whtslav.htm

9 comentários:

Hugo disse...

Julio,

Excelente artigo. Apenas um comentário: hoje vivo na California, mas vivi na Virginia por 3 anos, um dos estados confederados na Guerra da Secessão. Lá, como em qualquer estado sulista, você ouvirá dos negros que a conversão de seus antepassados não foi por um ato de generosidade dos donos de escravos e sim pura graça de Deus. Os brancos sulistas não consideravam o homem negro como um ser humano (os negros eram vistos como "semi-humanos). De acordo com estes, o homem negro não possuia alma e portanto "não era capaz de se converter". Esta foi a posição da Batista so Sul por muitos anos. Os afro-americanos, segundo os mesmos, se converteram porque escutavam do lado de fora do salão a leitura da Palavra de Deus, da boca dos mesmos "cristãos" que os escravizava e abusavam de suas mulheres. Segundo os afro-americanos, os negros não podiam participar dos cultos e a pregação do Evangelho lhes foi negada pelas razões acima. Isso ainda está bem vivo "in the South". Se for verdade, somente mostra o poder da Palavra de Deus e como o homem não tem nenhum mérito nisso. Veja o contraste com o Brasil, onde os curas tentaram catequizar o negro e o mesmo resistiu por anos, criando o sincretismo que atualmente vemos em terras tupiniquins.

Julio Severo disse...

Olá, Hugo! Em todas as questões humanas, sempre há abusos. No Brasil, por exemplo, é bem sabido que muitos donos de escravos abusavam das escravas. Veja o exemplo notório de Dom Pedro I. Assim, não é de admirar que muitos escravos não tenham se convertido à versão de cristianismo falso e podre que lhes era apresentado pelos portugueses. Quanto aos EUA, houve sim méritos humanos também. O Rev. Charles Finney, que viveu bem na época da escravidão, possuia uma faculdade evangélica, onde estudavam negros. Isso em si já era um fenômeno. O Rev. Finney também sustentava um movimento secreto de evangélicos que libertavam escravos e os conduziam a um lugar seguro. Havia também muitos casos notáveis de evangéilcos americanos que faziam questão de ensinar os filhos dos escravos a ler e escrever. Mais tarde, esses escravos educados fundaram escolas e até faculdades para negros. Quanto ao fato de se considerar o negro naquela época um ser semi-humano, infelizmente o homem muitas vezes é capaz de fazer coisas aburdas contra outro ser humano. Veja o caso do aborto em nossos dias, que é defendido e aplicado cruelmente em inocentes e indefesos bebês em gestação, não porque eles sejam considerados subhumanos. É bem pior do que isso. A sociedade moderna insiste em classificar os bebês como seres não humanos, que é uma desculpa horrível para destrui-los!! Então, a loucura do homem hoje é muito pior. Por pura tragédia, atualmente nos EUA os negros são, proporcionamente, o segmento populacional que mais sacrifica seus bebês por meio do aborto. Mas Deus sempre usa homens como Charles Finney para mudar as coisas. Devo, para concluir, dizer que Finney era um pregador avivalista, cheio do Espírito Santo, um dos precursores do movimento pentecostal. Assim, não há dúvida de que houve abundantes méritos humanos nos EUA. Os frutos estão aí para comprovar. Só a extinção dos orixás nos EUA é prova suficiente: http://juliosevero.blogspot.com/2007/12/por-que-ocorreu-extino-dos-orixs-entre.html. Infelizmente, o Brasil não teve tais méritos.

Pe. Raphael Lôbo disse...

Caro Julio

Que bom o seu blog, arauto de bom senso e defesa de valores cristãos no nosso tempo, que vive uma crise do óbvio e que se define em grande parte pela manobra ideológica das massas populacionais pela mídia contra o Evangelho de Cristo. Curioso é que isso se dá justo neste tempo, em que nos admiramos com os bons sucessos obtidos pela razão humana nos campos técnico-científicos... Envaidecida, entretanto, a mesma razão está se voltando contra o homem. Creio que este é um dos focos dos textos corajosos que tem publicado.

Além disso, gostaria de dar umas pistas históricas e sociológicas para alguns dos debates que li por aqui.

Percebi colocações que são parciais ou tendenciosas, talvez inadvertidamente. Parciais, por simplesmente deixarem de lado dados históricos imprescindíveis no contexto revisionista, isto é, na apresentação da história real contra a história falseada que chamamos politicamente correta. Tendenciosas, porque, apesar da evidente tentativa de manter uma postura equilibrada e respeitosa para com o catolicismo, escapam opiniões preconceituosas e por isso mesmo incapazes da abertura necessária para um estudo imparcial.

Alguns exemplos.

1.a) A luta contra a escravidão no novo mundo começou bem antes do que foi indicado no blog. Vários Papas, através de severas cartas escritas a diversos destinatários, principalmente aos príncipes católicos, condenaram evangelicamente tráfico, comércio e escravidão de negros nas colônias européias de além-mar, defenderam sua dignidade humana e conseqüentes direitos a liberdade e a ouvirem o Evangelho e se fazerem cristãos. Datam do século XVI as primeiras delas e, somadas todas as invectivas Papais contra a escravidão, chegam a mais de 300 durante os séculos em que esta prática infame vigorou nas Américas. Infelizmente, muitas vezes, os filhos da Igreja têm sido desobedientes, e é isso o que deve ser deplorado. O próprio Cristo não teve unanimidade, não foi aceito por todos, e teve entre os seus mais próximos o traidor, que demonstrava preocupação com os pobres, não por caridade, mas porque cuidava da bolsa comum e era ladrão, como afirma João no seu Evangelho.

1.b) Memória gloriosa e veneranda é a da Princesa Isabel, que aboliu a escravidão no Brasil não visando qualquer vantagem com isso, pelo contrário, pagando consciente e generosamente, com os nobilíssimos e insofismáveis direitos imperiais e reais de sua estirpe e com a própria coroa, esta sua atitude, exigência caridosa e justa da sua fé vigorosa e límpida... Não é à toa que ainda nas trincheiras da Segunda Grande Guerra, em particular no assalto e conquista de Monte Castelo, já tantos anos passados desde a Lei Áurea, os pracinhas brasileiros negros gritavam invocação que suscitou a curiosidade de não poucos norte-americanos, especialmente entre os oficiais: Viva Dom Pedro II e a Princesa Isabel. Não foi digno o nosso amado Brasil de tê-la por Rainha? Que este pecado seja creditado aos escravocratas decepcionados, que deram vazão a sua sanha de vingança aderindo a um republicanismo de fachada que maquiava os verdadeiros interesses mesquinhos e anticristãos que nutriam. Cretinos úteis, circunstancialmente predispostos às manobras do processo de revolução laica, para não dizer atéia, e sangrenta, nascido no século iluminado só no nome, e cujas obras se escondem nas trevas para passar desconhecido nas suas genuínas feições.

2.a) Não confere com a realidade o dado apresentado de que, no Brasil, as práticas religiosas de origem afro-brasileiras sejam mais fortes que nos EUA. Lá também elas contam com certa inegável expressividade, apresentada até por diversos veículos de comunicação. Mas lá elas foram muito mais reprimidas, e violentamente, e mais por motivos raciais do que religiosos. Ao contrário do que houve no Brasil, em que a repressão dos cultos africanos era por motivo religioso, porque se opunham à fé cristã, enquanto que as manifestações exclusivamente culturais dos povos africanos gozavam de liberdade, tanto é que hoje ainda elas se apresentam com alegria e vigor. Estatisticamente, esses rituais de origem africana pagã (que assumiram ou desenvolveram muitos elementos sincréticos de catolicismo popular) alcançam hoje a cifra de 0,3% da população brasileira, o que indica que foram praticamente erradicadas entre nós. Não podemos nos esquecer de que, ao entrar no século XX, o Brasil contava com a quase totalidade da população de cristãos católicos, e que até a década de 1970 mais de 90% ainda se declaravam católicos; sendo hoje 74% de católicos e 15% evangélicos de diversas denominações, em particular pentecostais. Isto mostra como a fatia dada aos cultos africanos é quase inexpressiva. Não podemos negar a influência desses cultos pagãos fora do seu círculo de membros, haja vista sobretudo ao fato de que grande parte dos católicos declarados simplesmente desconhece os elementos básicos da doutrina cristã, que se opõem radicalmente ao sincretismo e a qualquer abertura a tais práticas. Isso se deve à falta de instrução e prática religiosa, fato este que relega muitas vezes as pessoas à superstição, e não ao que foi dito na infeliz e falsa expressão publicada neste blog no comentário: (...) Assim, não é de admirar que muitos escravos não tenham se convertido à versão de cristianismo falso e podre que lhes era apresentado pelos portugueses. Meus caros, a conversão é uma atitude de máxima liberdade de alguém que se encontra com Cristo e decide abandonar tudo e reorientar toda a sua vida por Ele, com Ele e para Ele. A função da Igreja é apresentar Jesus às pessoas, dar-lhes esta oportunidade; e é o que Ela sempre fez e faz. Pelos séculos, erraram feio os que acharam que poderiam forçar alguém a se converter; e isso a Igreja nunca ensinou, recomendou ou admitiu, ainda que muitos o tenham feito. Conversão forçada não é conversão, mas encenação.

2.b) A discriminação dos negros, aliás, mais ainda, na sua expressão cruel de segregação racial, chegando aos extremos da Ku-Klux-Klan, só se desenvolveu no ambiente protestante. Lembremo-nos também da política de segregação chamada de Apartheid que vigorou na África do Sul até há pouquíssimo tempo, e que só pôde se dar em ambiente protestante. No Brasil, qualquer expressão de discriminação foi muito menos intensa e muito menos radical, o que é confirmado pelo fato da nossa ampla miscigenação racial oriunda de matrimônios inter-raciais desde o começo, o que não teve lugar nos EUA de maneira tão expressiva, a não ser em anos bem mais recentes; da amplíssima pregação feita a negros e índios no Brasil desde o início da colonização, comprovada não só pelos testemunhos históricos como também pela existência de mais de três centenas de catecismos de doutrina cristã escritos pelos missionários em diversos dialetos africanos e indígenas encontrados no Brasil. Aqui não foi como lá, segundo atesta o relato depositado no blog (grifos meus, sem correções):

«Excelente artigo. Apenas um comentário: hoje vivo na California, mas vivi na Virginia por 3 anos, um dos estados confederados na Guerra da Secessão. Lá, como em qualquer estado sulista, você ouvirá dos negros que a conversão de seus antepassados não foi por um ato de generosidade dos donos de escravos e sim pura graça de Deus. Os brancos sulistas não consideravam o homem negro como um ser humano (os negros eram vistos como "semi-humanos). De acordo com estes, o homem negro não possuia alma e portanto "não era capaz de se converter". Esta foi a posição da Batista so Sul por muitos anos. Os afro-americanos, segundo os mesmos, se converteram porque escutavam do lado de fora do salão a leitura da Palavra de Deus, da boca dos mesmos "cristãos" que os escravizava e abusavam de suas mulheres. Segundo os afro-americanos, os negros não podiam participar dos cultos e a pregação do Evangelho lhes foi negada pelas razões acima. Isso ainda está bem vivo "in the South". Se for verdade, somente mostra o poder da Palavra de Deus e como o homem não tem nenhum mérito nisso. Veja o contraste com o Brasil, onde os curas tentaram catequizar o negro e o mesmo resistiu por anos, criando o sincretismo que atualmente vemos em terras tupiniquins.

Salta aos olhos a atitude muito mais evangélica dos católicos, caridosa, aberta e tolerante, hoje como ontem. As mentalidades católica e protestante são completamente distintas, e geraram colonizações e povos radicalmente distintos em sua maneira de encarar a vida e o seu sentido, o mundo, as relações sociais etc. O capitalismo selvagem, a saber, encontrou terreno propício nos princípios protestantes sobre os quais é fundada a sociedade norte-americana: a predestinação calvinista (extremamente preconceituosa e excludente, além de anti-bíblica) e aqueles outros que compõem o rol da hoje chamada e tão em voga “teologia da prosperidade”, que de teologia só leva o nome, e para a qual a Bíblia é só isca, mascote ou garoto propaganda.

3.a) Apesar de ser “politicamente correto”, não é de bom tom fazer afirmações gratuitas contra a Igreja Católica. Esta acaba sendo uma atitude anti-intelectual, é opor-se a evidências, ao bom senso e à urbanidade cristã. Enfatizo, os execrandos e alardeados “pecados da Igreja” não passam de “pecados dos filhos da Igreja que não agiram como tais”. Fracos – como todos os mortais –, sem vigilância e oração, desobedientes, orgulhosos, avaros, impudicos, olvidados da eternidade, da efemeridade da vida presente e da sua alma imortal a salvar, é que muitos católicos falharam e deixaram seus maus exemplos nos anais da história. E tais ações eles as perpetraram não porque eram católicos, mas apesar de o serem, mesmo ocupando cargos elevados na hierarquia eclesiástica; agiram absolutamente contra o Evangelho de Cristo e o conjunto da Revelação Cristã de que a Igreja Católica é a única guardiã originária e intérprete imediata e fiel. Abundam exemplos históricos da fidelidade a toda prova da Igreja ao Evangelho de Cristo, tesouro que Ela jamais ousou expor a barganha, como é tão freqüente ver acontecer entre diferentes denominações cristãs. Lembre-se aqui tão somente o fato de a Igreja jamais aceitar o divórcio, porque Cristo não o aceita e o Evangelho é claro sobre isso. Essa fidelidade radical católica rendeu à Igreja a perda da Inglaterra, todo o Reino Unido e colônias, porque o Papa simplesmente não “deu um jeitinho” para a luxúria e ambição de Henrique VIII que queria divorciar-se. O Papa foi preso durante meses pelo rei apóstata que visava fazê-lo ceder sob tal coação, mas ficou fiel, e só foi solto quando se fez iminente a intervenção armada de outros príncipes católicos indignados contra a barbárie britânica. Em seqüência, o rei declarou-se a suprema autoridade religiosa para seus domínios, desligando-se da Igreja e rompendo a unidade cristã, o que também fez Lutero (também este, aliás, de motivações e currículo pouco recomendáveis) e trucidou todos os que se lhe opuseram, como também matou suas “esposas” seguintes, que foram mais de meia dúzia.

3.b) Garanto: não há ponto histórico de que a Igreja Católica como instituição se deva envergonhar. Ela não é uma fundação qualquer feita por homens, mas edificação divina feita por Cristo Salvador, o Verbo do Pai; feita de homens, mas inexpugnável por ser divina, como os séculos o comprovam. Aqueles filhos da Igreja, entretanto, desobedientes, ingratos, estes sim devem carregar sua vergonha e penitenciar-se dela.

Para o louvor de Cristo bendito e honra dos que amam a Verdade.

Pe. Raphael Lôbo

teresa disse...

Olá amigos e irmãos em Cristo , amei ler este excelente artigo e expresso nestas palavras minha singela opinião. Como cristã tenho experimentado atualmente a vivência em uma Igreja Petencostal e tenho sentido mudanças significativas em minha vida, tenho experimentado como nunca o amor de DEUS , e entendo o quanto toda esta cultura socialista que vem assolando o Brasil , com este enfoque intelectual tem trazido imensos prejuizos para nossa ignorante população , entendo também que em meio aos simpatizantes deste momento brasileiro existam pessoas que estão com olhos vendados e que a escuridão que envolve a aceitação dos cultos afro-esotéricos os impede de deixar a luz do SENHOR penetrar em suas mentes , acho também que estamos num simbólico momento de unir forças em torno de pedidos de misericórdia ao SENHOR JESUS por estas pessoas que vivem na escuridão e entregar nas mãos de DEUS o andar dos acontecimentos, porque é quase impossível de alguém no escuro enxergar a lógica da luz.
Maria Teresa - pazluz53@uol.com.br

Francisco disse...

Olá meu irmão.
Sou português, sigo à algum tempo o seu blog e sofro consigo a sua deplorável situação.
Ao ler o presente artigo gostaria de deixar alguns esclarecimentos adicionais. É frequente os portugueses serem apresentados como responsáveis pela escravatura aí no Brasil. Na verdade os utilizadores finais deste crime desumano eram em grande parte os agricultores portugueses (e não só) que possuiam as plantações (cana de açucar entre outras). Tudo o resto é falso. Os responsáveis pela escravatura são forçosamente aqueles que tinham mais a ganhar com essa actividade. O comércio de escravos exigia uma estrutura em rede e capitais elevados para que esse negócio existisse.
Nessa época quem possuia capacidade para manter esse comércio eram os cristões-novos (judeus aparentemente convertidos) que possuiam nomes portugueses, porque descendiam dos judeus portugueses expulsos, mas que habitavam principalmente na holanda. Eram esses os senhores das grandes frotas de navios negreiros e eram eles que mantinham em funcionamento as redes de compra de escravos no continente africano,os transportavam e posteriormente vendiam no Brasil.
(ver: http://www.inacreditavel.com.br/novo/mostrar_artigo.asp?id=124 ou ler "Gustavo Barroso, História Secreta do Brasil, 1990, Editora Revisão")

No passado, como agora, a verdade sempre foi incoberta, mas é tempo de que os que lutam pela luz da verdade estejam atentos à mentira que existe na penumbra que nos rodeia.
Deus esteja consigo.
Francisco

Leandro Matias Deon disse...

Sei que esse tópico já tem uns 6 anos de existência.

Mas é a primeira vez que leio e percebi que, em alguns pontos, há correções necessárias (ou, em muitas casos, arestas sobre as colocações feitas por um dos comentadores, no caso o pe. Raphael Lôbo, que, no geral, fez uma boa contribuição, mas muito mais parcial do que o artigo que ele comenta).

Mas, vamos às iniciais:

1. Não é correto se chamar de evangélica a população da Islândia do século XVII, bem como não é aconselhável se chamar de "evangélicos" aos próprios evangélicos do século XVIII e XIX que lutaram pela causa da abolição, sendo praticamente os pioneiros nessa busca em países como a Grã-Bretanha e os Estados Unidos (embora não os únicos, como explicarei adiante).
Explica-se: não há uma continuidade histórica entre os evangelicals britânicos e americanos com o movimento evangélico moderno (apesar de algumas convergências doutrinárias). O presente movimento evangélico (ou neo-evangélico, seguindo uma definição mais precisa) tem sua origem nos anos 40, 50 do século XX.

Essa distinção é necessária para compreendermos as diferenças sul/norte entre as denominações dos Estados Unidos na época que antecedeu à guerra civil.

2. O objetivo básico das operações de corso dos estados da Barbária (ou seja, 3 ou 4 estados muçulmanos do norte da África que praticavam apresamento em povoados do litoral para fins de escravidão) não era a escravidão (já que não existiam atividades econômicas lucrativas que não fossem... o próprio saque), mas a obtenção de resgates bastante altos - aliás, o mesmo procedimento feito atualmente pelos piratas somalis.
Caso não obtivessem resgate, esses escravos (geralmente mulheres ou crianças) eram revendidos em Istambul - onde também convergiam escravos de aldeias cristãs cossacas ou circassianas. Mas não era um bom preço. Os escravos serviam apenas ao luxo ou para funções militares.

É bom lembrar que os Estados Unidos não atacaram todos os estados piratas de uma vez, mas aproveitaram as disputas entre eles para as campanhas de 1801 e 1815, ambas enfrentando esquadras superiores em número e tecnologia.

Leandro Matias Deon disse...

3. A escravidão realmente sempre existiu, em todos os povos, e ainda existe.
Contudo, existem diferentes formas de escravidão, algumas mais degradantes e outras que buscavam a assimilação - mas em todas existia o elemento comum do trabalho forçado, sem remuneração.
A escravidão clássica que conhecemos (séculos XV a XIX) era uma escravidão econômica, mas que seguiu - por uma série de circunstâncias da sua formação - uma natureza racial. Negros, mas não todos, eram os escravos, mas apenas negros podiam ser escravos, não os índios (embora estes também fossem escravos, em número reduzido e sob outro sistema).

Em Israel, se este povo realmente seguisse a Lei todo o tempo (e vemos em Jeremias que não), o escravo deveria permanecer cativo apenas sob 7 anos, e a mesma lei tinha uma série de garantias ao ex-escravo sobre seus filhos e bens. Nenhuma nação da Antiguidade tinha um sistema assim; nem merecia ser chamado de escravidão.
Aliás, foi esse sistema de 7 anos que inspirou o sistema de servidão branca que vigorou nas colônias inglesas.

4. Apesar de ser possível que os índios prisioneiros de outras tribos tenham comemorado a sua captura por Colombo (ou Cortez, ou Pedrarias, etc) com alegria, como uma libertação - ao menos do sacrifício ritual estavam realmente libertos - o fato é que essa situação foi sucedida por outro cativeiro, outra forma de escravidão também com atos de crueldade extrema, como a mutilação de membros e o suplício do chumbo na garganta (entre outros).

Portanto, a libertação pelos espanhóis foi apenas um meio-fato.
(por justiça, convém anotar que Colombo horrorizou-se com tal procedimento).

5. Concordo plenamente com a natureza hipócrita (e falseadora da história) dos movimentos que se apresentam sob a bandeira da defesa dos negros, entre outros grupos - alguns minoritários e outros maiorias bem maleáveis.

É uma circunstância cultural.
O ambiente em que surgiu foi o anticolonialismo da segunda metade do século XX (na verdade, um antiocidentalismo, já que em nenhum momento se impôs contra a submissão ideológica a metrópoles como Praga, Moscou ou Beijing), e não estranha que tenha incoporado outros elementos de reversão da cultura ocidental, como a hostilidade ao cristianismo e à economia global - embora também se sirvam destes, quando servem a um mesmo fim.

Leandro Matias Deon disse...

Agora, as observações finais (aos comentários):

1. Parece que há controvérsia sobre a diferente conversão dos escravos na América do Norte e no Brasil, afirmando Julio que os seus senhores se empenhavam na conversão, e Hugo em que estes se converteram quase que sozinhos, "apesar" da escravidão.

Ao que tudo indica, os senhores empenharam-se, sim, pela conversão dos seus próprios escravos; alguns mais, outros menos. Eles não se converteram sozinhos como um tipo de resistência.
Não se pode utilizar um "sentimento" atual dos afro-americanos da Virgínia para explicar um fato que ocorreu há 250, 300 anos. São regimes de historicidade diferentes.
Devemos buscar os fatos.

2. Pe. Raphael Lobo observou bem que os evangelicals do século XVIII não foram os únicos a defenderem a abolição. Ele até poderia ter citado o libelo "Etíope resgatado", do pe. Manuel Ribeiro da Rocha, brasileiro do século XVIII, ainda antes de Newton e Wilberforce.

Contudo, daí a entender as cartas papais como documentos pela liberdade e dignidade dos escravos há um passo que não efetivamente transposto - pelo menos em direção aos africanos.
Por exemplo, a Companhia de Jesus dispunha de uma frota própria de navios negreiros, que serviam em suas plantações. Ou seja, não podemos considerar a invectiva contra a escravidão (que sabemos que foi muito mais incisiva contra a submissão dos índios do que dos africanos) como uma política generalizada.

Obviamente, nenhum ramo do cristianismo subscreveu os maus tratos ou a desigualdade racial (pelo menos antes do aparecimento de concepções extravagantes do século XIX, associando a África à descendência e maldição de Cam).
Contudo, em efeitos práticos, a posição católica não foi diferente da tomada pelas igrejas institucionais.

3. A fatia de 0,3% de aderentes de religiões africanas não é um dado seguro, devido ao fato de tradicionalmente os adeptos dessas religiões (como o candomblé ou o Vodu) intitularem-se católicos.
Apenas a umbanda - sob influência do kardecismo - é que se proclama uma religião a parte.

Não é verdade, portanto, que os rituais africanos estejam erradicados no Brasil. Existem milhares de terreiros espalhados no Brasil, embora a filiação não seja um objetivo, pelas próprias características desses centros. E, além disso, existe a influência cultural e artística muito superior, em círculos do beatiful people, embora seja um fenômeno recente

Leandro Matias Deon disse...

4. Não é verdadeiro que a discriminação racial desenvolveu apenas no ambiente protestante.
O que foi específico dessas culturas foi a discriminação segregacional.
No catolicismo existiu também uma longa trajetória de discriminação racial, incluindo determinações explícitas de não acesso de negros ao clero. Existem numerosos documentos que atestam isso.

Quanto à miscigenação racial, não podemos esquecer que ela sempre começou de maneira forçosa, simbolizando a opressão do senhor sobre as escravas.
Também existiu miscigenação nos Estados Unidos, pelos mesmos motivos. Ela só é disfarçada pelo sistema segregacional, que considera negros também os mulatos, quartos, oitavos...

5. Mesmo que exista controvérsia sobre o caráter bíblica da predestinação agostiniana em Calvino, é incorreto qualificá-la como "excludente" ou mesmo preconceituosa. Pelo contrária, ela exige um postura soturna em relação à propria justificação.
Nenhum calvinista pode afirmar sua própria justificação ou a não-justificação dos demais.

6. Nenhum papa ficou aprisionado durante meses por um rei "apóstata" (a não ser que se considere esse rei como o imperador Carlos V). Acho que há uma confusão de eventos históricos.

7. Não é também exato atribuir a recusa de Clemente VII de ceder ao pedido de divórcio de Henrique VIII como "fidelidade ao Evangelho de Cristo". Foram circunstâncias políticas.
Em 1498, outro papa concedeu prontamente a dissolução do casamento de Luís XII da França com Joana de Valois (aliás, santa posteriormente), que se deu nas mesmas circunstâncias e pelos mesmos motivos. Por que conceder ao rei da França e negar ao rei da Inglaterra?
A dissolução de casamentos por concessão eclesiástica não foi incomum na Idade Média.

8. A perda da Inglaterra para o protestantismo como preço a pagar por negar os caprichos de um rei renascentista não corresponde à realidade.
Henrique VIII jamais contestou a doutrina católica romana, e seu Ato de Supremacia só podia ter um desses objetivos: forçar a uma separação provisória ou render-se à uma tendência de fortalecimento da autoridade real em detrimento do papado. Em ambos os casos, o rei queria um catolicismo, sem papa (cismático), exercendo forte perseguição contra os reformados, como William Tyndale, queimado na fogueira em 1536.

A Inglaterra tornou-se protestante porque tendência própria, inevitável, que vinha desde Wycliff e os lolardos.
Nenhum rei conseguiu impedir isso.

9. Só há uma Igreja fundada por Jesus Cristo, e as portas do inferno jamais prevalecerão sobre ela até que se cumpra a sua obra nessa dispensação. Essa Igreja una e indivisível não é feita por homens e nem registrada por eles, de modo que não se contamina com suas obras, porque foi nascida do sangue de Cristo.

Em muitos momentos, essa fidelidade à Igreja tornou necessário que se rompesse com instituições qualificadas pelos homens como igrejas (até por serem a sua manifestação visível). Contudo, a comunhão no Espírito Santo comprova a certeza dessas decisões e demonstra claramente que o verdadeiro cristianismo é expresso pela fé protestante.