23 de julho de 2008

Decapitados e decapitadores

Decapitados e decapitadores

Olavo de Carvalho

Num seriado da TV estatal britânica BBC, uma organização cristã “de extrema-direita”, com nome sutilmente racista ( White Wings , “Asas Brancas”), decapita um inocente muçulmano “politicamente moderado”, sob o pretexto — oh, quão paranóico! — de que a tradição cristã do Reino Unido está sob ameaça. Não sei precisamente a quantidade de cabeças cristãs que têm rolado no mundo islâmico nos últimos anos — várias dúzias, até onde acompanhei o noticiário —, mas sei o número exato de muçulmanos decapitados pelos cristãos, fundamentalistas ou não, no Ocidente ou no Oriente: zero.

Quando uma TV estatal decide chamar os decapitados de decapitadores, atribuir a eles o fanatismo sangrento daqueles que os matam e ainda acusá-los de paranóicos quando se sentem ameaçados, uma coisa é clara: o proprietário dessa TV está em guerra contra a religião dessas pessoas e, na ânsia de extingui-la, não se vexa de recorrer à calúnia deliberada e cínica. Quando esse proprietário é o governo de uma das nações mais poderosas do mundo, o risco que a comunidade visada está exposto não é nada pequeno. É pelo menos tão grande quanto a imaginária White Wings diz que é.

Semanas antes, quase ao mesmo tempo que o governo britânico legalizava a poligamia e autoridades judiciais proclamavam que a implantação da lei islâmica no Reino Unido era apenas uma questão de tempo, a BBC havia proibido seus redatores de usar o termo ditador para referir-se ao falecido Saddam Hussein, aquela gentil criatura que consolidou seu poder presidencial matando os deputados de oposição e depois espalhou cemitérios clandestinos por todo o Iraque, preenchendo as valas comuns com centenas de milhares de rebeldes e indesejáveis em geral. Simultaneamente, uma pesquisa do American Textbook Council ( www.worldnetdaily.com/index.php?pageId>63872 ) mostrou que os livros de História distribuídos na rede de escolas públicas dos EUA são francamente pró-islâmicos, enquanto toda expressão pró-cristã é ali cada vez mais desestimulada e reprimida sob todas as formas, incluindo expulsão, prisão e estágios obrigatórios de "reeducação da sensitividade".

Também quase ao mesmo tempo, a Suprema Corte dos EUA concede aos terroristas islâmicos presos em território estrangeiros os mesmos direitos dos cidadãos americanos, enquanto a grande mídia e os megabilionários globalistas conjugam esforços para eleger presidente dos EUA um muçulmano (relativamente) enrustido.

Mas, é claro, só um fanático militante da White Wings veria em tudo isso uma convergência entre os três grandes projetos de dominação mundial — o metacapitalista , o comunista e o islâmico —, num esforço comum de realizar a velha meta do filósofo marxista Georg Lukács: destruir a civilização judaico-cristã .

Judaico-cristã não é só um modo de dizer. A guerra não é só contra os cristãos: a BBC tanto demonizou Israel que o governo de Tel-Aviv decidiu vetar a entrada de representantes dessa emissora nas entrevistas coletivas oficiais. Claro: de que adianta contar tudo a repórteres que depois escrevem o contrário? De que adianta mostrar-lhes dezenas de bombas lançadas diariamente contra Israel se depois eles vão pintar toda e qualquer reação israelense, mesmo desproporcionalmente modesta, como se fosse uma iniciativa isolada, sem motivo, inspirada pela pura brutalidade?

Fonte: Jornal do Comércio

Divulgação: www.juliosevero.com

7 comentários:

bebeto_maya disse...

Sinto pena do povo de Israel...Tem seu povo assassinado o tempo inteiro, e não pode reagir. Quando reage...Já viu.

Quem visitou Israel, sabe o clima de tolerância do povo Judeu, são hospitaleiros ao extremo...Até banda de rock anti-semita inglesa já tocou por lá.

Israel, país tão pequeno, um Davi em meio ao Golias que é o mundo Árabe. Ainda têm que disputar sua terra com esses terroristas palestinos. O que não é sagrado para os muçulmanos? Onde eles poem os pés, se torna "sagrado".

Anônimo disse...

As grandes perguntas são as seguintes: o cristianismo fracassou?

O Cristinaismo ainda se constitui em alternativa espiritual?

O Cristianismo ainda se mantém como proposta de um Reino de Deus Universal?

A decadência católica, os padres gays e pedófilos e a Teologia do Reino individual por parte dos protestantes não seria causa de abandono por parte daquelas pessoas que sabem o que significa RELIGIÃO?

Antonio Ahmed Ramadan

Jorge Nilson disse...

O cristianismo nunca fracassou. Já são mais de 2000 anos e com toda a perseguição e escândalo ainda hoje ele existe. Não os cristãos cometeram erros. Os mulçumanos cometeram muito mais. Os comunistas assassinaram muita gente. O homossexual Hitler tem até hoje os seus seguidores.
O cristianismo não é uma alternativa espiritual, é a ÚNICA.
Não importa os Judas da vida. Não importa a falsa igreja católica. Não importa os padres gays, a Teologia do Reino individual. È mister que venham os escândalos. Só Jesus continua o mesmo. A igreja de Cristo prosseguirá, quer queiram ou não.

Rafael disse...

Nossa. Não sabia que a situação da BBC era tão extrema.

Tricia disse...

vc viu isso? http://g1.globo.com/Noticias/Vestibular/0,,MUL689269-5604,00-JUSTICA+DETERMINA+QUE+IRMAOS+QUE+SAO+EDUCADOS+EM+CASA+FACAM+UMA+PROVA.html

Anônimo disse...

A Inglaterra como nação cristã está definitivamente nos estertores da morte. É triste ver o pais de onde sairam Wesley, Spurgeon, Hudson Taylor, "Doc"Martin Lloyd Jones e outros, se render tão abjetamente ao principado islâmico. O SENHOR está mesmo às portas!!!

Pericles disse...

Caro Júlio,
Sinceramente não entendi porque não foi publicado meu comentário. Mesmo que vc não tenha interesse nas traduções que mencionei vc poderia publicá-lo.Caso tenha sido alguma falha da web vou repeti-lo:
No programa Casseta e Planeta quando é feita sátira do Bin Laden sempre tem a seguinte mensagem: O fim da civilização judaico-cristã está próximo.Considero isso uma ameaça disfarçada de piada.