Metas da ONU Podem Estar Tendo Parte nas Esterilizações Forçadas do Uzbequistão
Annalee
Seath
WASHINGTON, DC, EUA, 27 de abril
(C-FAM) O governo do Uzbequistão está sendo acusado de manter um programa
clandestino para esterilizar as mulheres a força, possivelmente como um modo de
atender às metas da ONU sobre mortalidade materna. Reportagem
do Serviço Mundial da BBC informa sobre essa tendência preocupante de
esterilizações compulsórias e cotas obrigatórias para médicos.
A notícia vem apesar de afirmações
do governo do Uzbequistão de que
esterilizações não podem ser realizadas sem o consentimento informado da
paciente. Contudo, profissionais médicos relatam que recebem planos anuais que
orientam cada médico sobre o número de mulheres que eles têm de prover
contracepção ou esterilizar.
Fontes médicas dizem que a pressão
é principalmente forte em médicos das regiões rurais do Uzbequistão, onde
alguns ginecologistas são obrigados a realizar até oito esterilizações por
semana.
“Há uma cota. Minha cota é quatro
mulheres por mês”, um ginecologista da capital do Uzbequistão disse para a BBC.
Os casos exibem a facilidade de
cruzar a linha do consentimento informado para a coerção nas mãos de um governo
conhecido por seus abusos
de direitos humanos e agenda de controle
populacional.
“No papel, as esterilizações devem
ser voluntárias, mas na verdade as mulheres não recebem escolha”, diz um médico
de cargo elevado num hospital de província, o qual desejou permanecer anônimo.
“É muito fácil manipular uma mulher, principalmente se ela é pobre. Você pode
dizer que a saúde dela sofrerá se ela tiver mais filhos. Você pode dizer que a
esterilização é melhor para ela. Ou você pode simplesmente fazer a operação”.
As mulheres relataram não saber que
haviam sido esterilizadas até enfrentar complicações inesperadas depois de uma
gravidez ou mais tarde tentarem — e não conseguirem — engravidar.
Além da polêmica de esterilizações
forçadas do governo, o mistério real é por que o governo perpetua a política,
principalmente considerando que o índice de fertilidade do país vem caindo
muito. De acordo com o UNICEF,
o índice total de fertilidade do Uzbequistão caiu de 6,5 filhos por mulher em
1970 para 2,4 em 2010. Hoje, o Anuário
Mundial da CIA estima um mero 1,86
filhos nascidos por mulher, bem abaixo do nível de substituição de 2,1 filhos
por mulher.
Além de um baixo índice de
fertilidade, o país enfrenta um declínio populacional devido à emigração.
Com uma população de cerca de 28 milhões, o Uzbequistão experimentou um
prejuízo líquido de 779.200 pessoas em 2010.
Deixando de fora a agenda de
controle populacional, pode haver outra teoria. Os médicos e ativistas de
direitos humanos internacionais especulam que as medidas de esterilização são
uma tática para reduzir a mortalidade materna e infantil e impulsionar a
classificação internacional do Uzbequistão nessas áreas. As Metas de
Desenvolvimento do Milênio da ONU frisam a redução da proporção da mortalidade
materna em três quartos até 2015.
“É uma formula simples — quanto
menos mulheres derem a luz, menos delas morrem”, um médico disse para a BBC.
“O Uzbequistão parece obcecado com
números e classificações internacionais”, diz Steve Swerdlow, diretor para a
Ásia Central da organização de direitos humanos Human Rights Watch. “Penso que
é conduta típica de ditaduras que precisam construir uma narrativa baseada em
algo que não seja a verdade”.
Mas o espectro decrescente da
mortalidade materna e infantil não alivia o sofrimento das mulheres que foram
privadas da chance de ter mais filhos, conforme Natalie Antelava, jornalista da
BBC, narra: “Nigora está entre muitas mulheres para as quais a esterilização
forçada é uma realidade. Ela teve um parto cesáreo de emergência. Um dia depois
ela foi informada de que havia sido esterilizada. No mesmo dia, seu bebê
recém-nascido morreu. Nigora tem 24 anos e nunca mais poderá ter filhos”.
Tradução:
Julio Severo
Fonte:
Friday
Fax
Comitê
da ONU ataca o papel de mãe e exige novos “direitos” para as mulheres





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