17 de abril de 2017

A aventura malsucedida e imoral de Trump na Síria


A aventura malsucedida e imoral de Trump na Síria

Ann Coulter
Guerra é como crack para os presidentes. Confere integridade moral instantânea, catapultando-os direto para uma posição de respeitabilidade. Eles chegam a fazer pronunciamentos machos acerca de um assunto onde cada expressão é vista como majestosa.
Por outro lado, a aventura malsucedida de Trump na Síria é imoral, viola todas as promessas de campanha dele e pode afundar sua presidência.
Quando ele age de forma independente em seus planos, sem as contaminações de pensamento de grupo da elite do governo americano, Trump acerta.
Em 2013, quando o presidente Obama estava sendo instigado a atacar o presidente sírio Bashar al-Assad em resposta a um alegado ataque de armas químicas bem mais amplo do que o ataque recente, Trump tuitou:
— 29 de agosto de 2013:
“O que os EUA ganharão bombardeando a Síria além de mais dívidas e uma possível guerra de longa duração? Obama precisa da aprovação do Congresso.”
— 31 de agosto de 2013:
“Preparem-se, há uma pequena chance de que os horríveis líderes dos EUA por ignorância levem os EUA à 3ª Guerra Mundial.”
— 1 de setembro de 2013:
“Se os EUA atacarem a Síria e atingirem alvos errados, matando civis, haverá consequências mundiais horríveis para se pagar. Vamos ficar longe da Síria e consertar os problemas dos EUA.”
Durante sua campanha eleitoral, Trump várias vezes declarou que ele não tinha interesse em iniciar a “3ª Guerra Mundial por causa da Síria,” dizendo: “Os EUA têm problemas maiores do que Assad.” A posição política dele era: “Deixe que a Síria e o ISIS briguem. Eu olho para Assad — e Assad parece melhor do que o outro lado.”
Trump estava certo em todos os pontos.
Assad é um dos líderes menos maus do Oriente Médio inteiro. Ele não é um gângster assassino como Saddam, não tem salas de estupros, não está envolvido em guerra santa islâmica, protege os cristãos e está combatendo o ISIS. Ele deu aos EUA informações secretas sobre a al-Qaeda depois do atentado terrorista em Nova Iorque em 11 de setembro de 2001. Ele não tem uma polícia islâmica louca que bate em mulheres por aí nem joga gays de cima de prédios. (O amado aliado dos EUA é a Arábia Saudita, mas deveria ser a Síria.)
Trump estava também correto sobre o fato de que os inimigos de Assad são vastamente piores, e que ele refreia grandes proporções do ISIS e da al-Qaeda.
Por mais horrendo que fosse ver aquelas crianças mortas, Trump sabia que a primeira obrigação dos EUA é com seus próprios filhos.
Os EUA nunca tiveram sucesso em transformar uma ditadura do Terceiro Mundo num paraíso. O histórico dessas intervenções mostra que remover um ditador do Oriente Médio sempre piora tudo — por exemplo, no Irã, Iraque, Líbia e Egito.
Os EUA intervêm, achando que estão ajudando coitadinhos que vivem sob o domínio de um ditador — e então a nova tribo islâmica assume o controle e oprime a todos, geralmente com muito mais brutalidade, enquanto odeia os EUA com mais ódio do que a tribo anterior.
Se os eleitores americanos quisessem mais guerras no Oriente Médio, havia muitos outros candidatos que ofereciam essa opção: Marco Rubio, Lindsey Graham, Carly Fiorina e Hillary Clinton, por exemplo. E não podemos nos esquecer de Jeb, embora evidenciou-se surpreendentemente fácil fazer isso em 2016.
Mas os eleitores americanos escolheram Trump.
Embora a maioria da Esquerda choramingasse acerca da volta da Alemanha nazista sob Trump, esquerdistas mais astutos viram a vulnerabilidade dele: bajulação. Tudo o que é preciso fazer é louvá-lo! Você ficará chocado com a facilidade que é fazer isso.
E, gente, exageraram na aventura malsucedida na Síria. Todas as iscas para pegar idiotas foram engolidas. Os apresentadores de noticiários transbordaram de emoção, falando com entusiasmo: “Trump se tornou presidente dos Estados Unidos nesta noite!” No noticiário da MSNBC, o esquerdista Brian Williams chamou o bombardeio de “belo” três vezes em menos de um minuto. O senador neocon Lindsey Graham (uma das “mulheres do Senado,” de acordo com a juíza Ruth Bader Ginsburg) comparou Trump a Reagan. O jornal esquerdista New York Times teve como manchete o artigo: “Sobre o Ataque da Síria, o Coração de Trump Veio em Primeiro Lugar.”
Meu cenário de pesadelo: Trump e Jared assistindo à TV juntos e se cumprimentando com um sinal de vitória: VOCÊ VIU O NOTICIÁRIO? ESTÃO ADORANDO VOCÊ! Tudo o que Trump teve de fazer foi um bombardeio sem sentido em outro pais, e foi como se um gênio da lâmpada tivesse concedido todos os desejos dele.
Buscando algum lado positivo nesse vexame, apoiadores desesperados de Trump berraram, feito ovelhas irracionais, que bombardear Assad enviou uma mensagem para a Coreia do Norte. Sim, a mensagem é: A elite do governo americano está determinada a manipular o presidente e fazê-lo lançar ataques militares contraproducentes. Os inimigos — tanto externos quanto internos — dos Estados Unidos ficariam felizes da vida se os EUA, que estão arrebentados, se enfraquecessem ainda mais com guerras sem sentido.
A Guerra do Iraque fortaleceu os EUA? A Guerra do Afeganistão, que parece que não vai acabar nunca, fortaleceu os EUA? A Guerra do Vietnã fortaleceu os EUA? É assim que uma grande potência morre, que é exatamente o que a Esquerda quer.
A política do governo Trump estava indo na direção errada a toda velocidade, mas graças a Deus, Trump parece ter agarrado a direção e freado. Apesar das esperanças e sonhos de Nikki Haley, belicista metida a estrategista militar, os EUA não estarão se envolvendo em esforços para derrubar o governo da Síria para colocar outro ou iniciando a 3ª Guerra Mundial com a Rússia hoje.
Os americanos querem de volta o “presidente dos EUA” — não o “presidente do mundo.”
Traduzido por Julio Severo do original em inglês do WND (WorldNetDaily): Trump’s immoral Syria misadventure
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Um comentário :

Marcelo Victor disse...

Como os demais presidentes, o atual parece estar somente inventando umas guerrinhas aqui e outras acolá para aquecer a economia e testar a eficiência da sua tecnologia.
Infelizmente, tudo faz parte de um script...